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Visitando o Maior Navio de Guerra da América Latina: Dois dias no NAM Atlântico (Parte 2)

OBSERVAÇÃO 01: Essa é a segunda parte do artigo que fala da visitação feita pelo Professor Luiz Reis, Editor do Canal Militarizando, ao NAM Atlântico, nos dias 20 e 21 de janeiro, durante a parada do navio em Fortaleza (CE) durante o exercício “Aspirantex 2024”. Se quiser ler antes a primeira parte do artigo, clique AQUI.

OBSERVAÇÃO 02: Esse artigo foi escrito em primeira pessoa, pelo próprio Professor Luiz Reis.

No dia seguinte (21 de janeiro) à Ação Cívico-Social (ACISO) realizada pelo Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) “Atlântico” em prol da população de Fortaleza, ação realizada durante a visitação do navio (por conta da Operação “Aspirantex 2024”) e de sua escolta, a Fragata “Liberal” (que por razões técnicas, não poderia ser visitada publicamente), retornei ao Porto do Mucuripe, em Fortaleza, para cobrir e participar da visitação pública ao navio, iniciada pontualmente às 09h da manhã. Fui bem recebido pelo Sargento Willer, da Capitania dos Portos do Ceará, que estava destacado para a Tenente Ohana Gonçalves, do Centro de Comunicação Social da Marinha, que me conduziu até a rampa de entrada do navio.

Subi a rampa e embarquei no navio e dessa vez pude ir diretamente até o convés de voo do navio (ou “convoo”), subindo uma rampa para translado de veículos e outros equipamentos do convoo para o hangar de veículos, local onde havia ocorrido a Ação Cívico-Social (ACISO), do dia anterior. De cara já vi que estavam na parte traseira do navio um veículo de transporte blindado (APC) MOWAG Piranha, de origem suíça, e um veículo tático blindado leve (JLTV) Oshkosh, de origem norte-americana. Ambos os veículos, que fazem parte do inventário do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), estavam presentes no hangar de veículos abaixo, aonde havia ocorrido a ACISO.

Um MOWAG Piranha (acima) e um JLTV Oshkosk (abaixo) estavam embarcados no NAM Atlântico durante a visitação pública em Fortaleza. Nas fotografias, os dois blindados estavam no hangar de veículos do navio durante a ACISO realizada no dia 20 de janeiro (sábado).

Assim como estavam presentes no convoo na visitação interna do navio no dia anterior, estavam no mesmo na visitação pública os helicópteros que foram vistos ontem, como os dois UH-15 “Super Cougar”, os SH-16 “Seahawk” e o UH-12 “Esquilo”, aeronaves que foram embarcadas no Rio de Janeiro para a operação “Aspirantex 2024”. Os dois UH-15 estavam mais ou menos a meia nau do navio, enquanto que os dois SH-16 estavam mais à frente.

O UH-15 é um helicóptero médio de emprego geral, de origem francesa, enquanto que o SH-16 é um helicóptero de combate otimizado para a luta antinavio e antissubmarino, sendo considerado um dos helicópteros mais avançados da América Latina. Já o UH-12 Esquilo, helicóptero que está em serviço na Marinha desde 1979, ou seja, há mais de 44 anos de operação, é um helicóptero leve de emprego geral (um verdadeiro “faz tudo” da Marinha) que já está chegando ao final do seu serviço ativo, mas por enquanto sem definição de um substituto.

Tanto nos helicópteros da Marinha quanto nos veículos dos Fuzileiros Navais haviam militares, geralmente operadores ou mantenedores dos respectivos meios aéreos e terrestres, que educadamente e pacientemente explicavam o funcionamento, os detalhes e particularidades de cada equipamento, respondendo pacientemente as questões feitas pelas pessoas, muitas delas completamente leigas quando o assunto é equipamentos militares.

Um dos dois UH-15 “Super Cougar” “espotados” no convoo do NAM Atlântico durante a visitação pública ao navio.
Os imponentes SH-16 “Seahawk” chamaram muito a atenção dos presentes ao convoo do Atlântico durante a visitação pública.
Já o UH-12 “Esquilo”, situado próximo à proa do navio, estava solitário (o seu par estava hangarado na Fragata Liberal) , mas mesmo assim atraiu os olhares dos presentes na visitação pública ao navio.
Um dos quatro canhões de 30 mm DS30M Mark 2, de origem inglesa, que equipam o Atlântico. São usados para defender o navio de embarcações de ataque costeiro rápidas armadas com mísseis de curto alcance, granadas de foguetes, metralhadoras ou explosivos.

Algo que se percebe bem no convoo é a presença de diversos equipamentos de combate a incêndios e primeiros socorros em caso de um incidente ou acidente ocorrer no convoo. Coso algo nesse sentido aconteça, os feridos podem ser rapidamente levados até a enfermaria do navio, situadas poucos níveis abaixo do convoo.

Após a visita ao convoo, desci a mesma rampa aonde usei para a subida e retornei ao hangar de veículos, aonde estavam sendo expostos armas e equipamentos militares usados pela Marinha no navio e também pelos Fuzileiros Navais em suas operações de combate. Foram mostradas armas como fuzis, metralhadoras, coletes de proteção, equipamentos de segurança e para auxiliar as operações de voo e outros itens.

Fuzileiros Navais mostram suas armas e equipamentos, dentre elas um fuzil “bullpup” e uma arma otimizada para “snipers”(atiradores de elites).
O sargento Fábio, do CFN, explica o funcionamento do míssil antiaéreo “Mistral”, de origem francesa.

No final da visitação, as pessoas tem a visão do grande hangar de aeronaves, que estava praticamente vazio, mas não era acessível ao público. Logo após as pessoas se dirigem para a rampa de saída do navio, pois a visita tem a duração de uma hora, e na outra hora outras pessoas que agendaram a visita iriam entrar para a visitação pública do navio.

A rampa de acesso ao hangar de aeronaves, vista do hangar de veículos. Também pode ser visto um dos elevadores de acesso ao convoo.

A visitação foi muito bem organizada, bem dinâmica e bastante didática. Os militares da marinha estavam impecavelmente bem vestidos e todos e portaram de maneira educada e cordial. Foi uma visitação muito proveitosa e desejo que as pessoas possam um dia visitar esse ou outros navios da Marinha do Brasil, uma força que leva o nome do nosso país para todos os cantos desse mundo. Particularmente, espero visitar mais vezes esse lindo navio, que está muito bem conservado, praticamente da mesma forma quando foi incorporado à Marinha em 2018. Até a próxima!

Dedico esses dois artigos à minha amada esposa, Fátima Reis, que me acompanhou na visita do navio e gostou bastante.

FOTOS: Prof. Luiz Reis/Canal Militarizando.

IMAGEM DE CAPA: O convoo do NAM Atlântico foi tomado pelo fortalezense durante a visitação pública ao navio, que durou das 9 até às 17 horas de domingo, 21 de janeiro.

AGRADECIMENTOS: Mais uma vez agradeço a toda tripulação do NAM Atlântico, em especial o seu comandante, CMG Huguenin, ao CF Brackmann, chefe do corpo médico, e CF Márcia Freitas, o CT Danilo, os Tenentes Alcântara e Ohana Gonçalves e os Sargentos Boaventura e Willer. Também agradeço o apoio do jornalista Vitor Magalhães do Jornal O Povo e principalmente ao jornalista e amigo Angelo Nicolaci, do site “GBN Defense”, que sem a ajuda dele, tais artigos não seriam possíveis.

FONTES: Agência Marinha de Notícias e Wikipédia.

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