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UM INFERNO NOS CÉUS: OS ATAQUES A SCHWEINFURT-REGENSBURG

Os Ataques a Schweinfurt-Regensburg foi uma importante missão estratégica de bombardeio durante a segunda metade da Segunda Guerra Mundial. O ataque foi realizado pelos bombardeiros pesados Boeing B-17 Flying Fortress das Forças Aéreas do Exército dos EUA (USAAF) no dia 17 de agosto de 1943, uma terça-feira. Era um plano ambicioso para prejudicar duramente a indústria aeronáutica alemã e minar o seu esforço de guerra.

A operação também ficou conhecida como a “missão de ataque duplo” porque envolvia duas grandes forças de bombardeiros que atacavam alvos separados para dispersar a reação dos caças da Luftwaffe (Força Aérea Alemã), que naquele momento iniciava a campanha de “Defesa do Reich” contra os bombardeiros aliados e também foi a primeira missão americana que usou a técnica “shuttle”, na qual todas ou parte das aeronaves pousam em um campo diferente para depois bombardear outro alvo antes de retornar à sua base original.

A missão infligiu danos pesados no alvo em Regensburg, mas com catastróficas perdas, com sessenta bombardeiros perdidos e muitos danificados ao ponto de não poderem voar mais. Como resultado, a Oitava Força Aérea não conseguiu imediatamente organizar um segundo ataque que poderia ter prejudicado seriamente a indústria alemã. Quando Schweinfurt foi novamente atacada dois meses depois, a falta de escolta de combate de longo alcance ainda não havia sido resolvida e as perdas foram ainda maiores. Como consequência, o bombardeio estratégico de penetração profunda sem escolta foi suspenso por cinco meses.

O PLANEJAMENTO DA MISSÃO

Os ingleses consideravam bombardear a Alemanha durante o dia uma “missão suicida”. Já os norte-americanos achavam viável por conta da excelente autoproteção das 12 metralhadoras calibre .50 (12,7 mm) das “Fortalezas Voadoras” B-17, de suas táticas em “box” e sua confiável mira Norton, que dava uma excelente precisão ao bombardear alvos. Só não contavam com a ainda forte Defesa Aérea da Alemanha pelas flak (artilharia antiaérea) e pela ainda poderosa Luftwaffe. Um B-17 sobrevoa a baixa altura um campo na Inglaterra. (Reprodução Internet)

Devido a cessão de algumas unidades para a invasão da África do Norte, a força de bombardeio na Inglaterra tinha sido limitada em tamanho a quatro grupos de B-17 e dois de B-24 até maio de 1943. A partir dessa época, e em conjunção com a “Diretiva Pointblank” para destruir a Luftwaffe em preparação para a “Operação Overlord” (a invasão aliada da Europa, que já estava sendo planejada), a força de bombardeiros pesados B-17 expandiu-se quatro vezes o seu tamanho e foi organizada na 1ª e 4ª Alas de Bombardeio (que, devido ao seu grande tamanho, seriam em breve designadas Divisões de Bombardeio). A 1ª Ala de Bombardeio, que incluía todos os grupos de B-17 originais, foi baseada na região central da Inglaterra, enquanto as unidades da 4ª Ala estavam localizadas no leste do país.

Mapa do ataque “shuttle”, inicialmente contra Schweinfurt em 17 de agosto e depois contra o sul da França em 24 de agosto de 1943. (Reprodução Internet)

A produção dos Bf 109 (e quase a metade de todos os caças alemães) estava localizada em Regensburg e em Wiener Neustadt, na Áustria. Para atacá-las e destruí-las com absoluta eficiência, foi elaborada a “Operação Juggler” (Malabarista), na qual as fábricas de produção de caça em Wiener Neustadt seriam atacadas pelos Consolidated B-24 Liberators da Nona Força Aérea, com sede na Líbia (mesmo local de onde partiram os bombardeiros da Operação Tidal Wave, em julho), e Regensburg pelos B-17 da Oitava Força Aérea baseadas na Inglaterra. A data da missão original, 7 de agosto, não pôde ser cumprida por causa do mau tempo, e os B-24 voaram para participar da missão apenas no dia 13 de agosto, mas sem a participação da Oitava Força Aérea, que não podia participar devido as péssimas condições climáticas.

Para completar com sucesso a sua parte na operação, a Oitava Força Aérea decidiu atacar um alvo na Alemanha Central, assim como seria em Regensburg, para dividir e confundir as defesas aéreas alemãs. A 4ª Ala de Bombardeio, usando bombardeiros B-17 equipados com tanques de combustível de longo alcance (projetados para uso no Teatro de Operações do Pacífico, mas não contra o longínquo Japão, e por isso exageradamente chamado de “Tanques Tóquio”) atacaria as fábricas do Messerschmitt Bf 109 em Regensburg e depois voaria para bases em Bône, Berteaux e Telergma (na Argélia Francesa).

A 1ª Ala de Bombardeio, seguindo-a, viraria para nordeste e bombardearia as fábricas de rolamentos de esferas de Schweinfurt (a Vereinigte Kugellager – VK, uma subsidiária alemã da poderosa fábrica sueca de rolamentos SKF), pois os rolamentos são muitos importantes para os motores a pistão até os dias de hoje. Para se ter uma ideia da importância dos rolamentos, apenas um motor Jumo 211 de um bombardeiro médio bimotor alemão Junkers Ju 88 empregava quase 1.200 rolamentos!

Os ataques em Schweinfurt-Regensburg tinham por objetivo paralisar a fabricação de aeronaves e veículos militares, pela falta de rolamentos, assim seria impossível produzir motores como o Jumo 211 que eqipava o bombardeiro Junkers Ju 88 (na foto acima, um modelo A-1 durante uma missão na França em 1940). (Reprodução Internet)

Por causa de alcance limitado por (inexplicavelmente) não terem empregado tanques extras, os caças Republic P-47 Thunderbolt de escolta seriam capazes de proteger os bombardeiros apenas até a cidade de Eupen, na fronteira da Bélgica com a Alemanha, que era de aproximadamente uma hora de voo de ambos os alvos.

Dois ataques de apoio também fizeram parte do plano geral da missão. O primeiro, um ataque de engodo, envolveu o bombardeio de três locais ao longo da costa francesa e holandesa: os aeródromos alemães em Bryas-Sud e Marck pelos bombardeiros médios americanos Martin B-26 Marauder da USAAF e os North American B-25 Mitchell pertencentes a Real Força Aérea Inglesa (RAF), e os pátios de manobras ferroviário em Dunquerque por outros Mitchells da RAF, todos cronometrados para coincidir com o ataque principal em Regensburg.

O segundo foi uma série de ataques aos campos de pouso da Luftwaffe em Poix, Lille-Vendeville e Woensdrecht por Hawker Typhoons da RAF simultaneamente com o ataque de engodo, e Poix por dois grupos de B-26 na parte da tarde quando a força de Schweinfurt estava retornando.

Atrasos por causa do mau tempo

Os planejadores da missão da 8ª Força Aérea calcularam entre uma a duas horas as manobras de subida das aeronaves e a montagem das formações de bombardeiros para o deslocamento até o alvo e o efetivo cumprimento da missão. Além disso, a duração da missão para a força de Regensburg seria de onze horas de duração, de modo que os comandantes teriam apenas uma “janela” de 90 minutos para iniciar a missão e ainda permitir que os B-17 da 4ª Ala de Bombardeio alcançassem a África do Norte ainda à luz do dia. O planejamento da Missão Nº 84 indicou uma janela de decolagem desde o amanhecer (aproximadamente às 06h30min no horário de verão britânico) até aproximadamente às 08h00min sem cancelar a missão. Na noite do dia 16 de agosto, o comando da Oitava Força Aérea recebeu relatórios da previsão do tempo indicando que o tempo estaria melhor na manhã do dia seguinte e deu sinal verde para o início da missão.

Um caça bimotor da Luftwaffe Me 410 “Hornisse” ataca um B-17 da USAAF. Os alemães usavam qualquer tipo de caça ou aeronave de ataque para atacar os bombardeiros norte-americanos, Também desenvolveram canhões pesados para serem usados pelas aeronaves (o Me 410 da foto está equipado com um canhão de 50 mm) foguetes e até primitivos mísseis guiados. (Reprodução Internet)

Na madrugada do dia 17 de agosto, quando os pilotos estavam preparando suas aeronaves para decolar, a Inglaterra estava coberta de neblina. O início da missão foi adiado até as 08h00min, quando a neblina se dissipou o suficiente para permitir que a 4ª Ala de Bombardeio decolasse por instrumentos, uma técnica que eles haviam praticado. Embora atacar ambos os alvos simultaneamente era considerado essencial para o sucesso da missão sem perdas proibitivas, a força de Regensburg foi ordenada a decolar, embora a 1ª Ala de Bombardeio ainda permanecessem em suas bases pelo clima adverso. Quando a neblina já havia dissipado sobre as a região central da Inglaterra, a força de Regensburg já havia chegado à costa da Holanda, o que indicava que os caças alemães defensores teriam tempo suficiente para pousar, reabastecer e atacar a segunda força-tarefa. Consequentemente, o lançamento da força para Schweinfurt foi atrasado ainda mais para permitir aos caças de escolta da USAAF tempo suficiente para retornar à base para rearmar para uma segunda missão de escolta. Assim a 1ª Ala se posicionou a mais de três horas atrás da 4ª Ala.

A FORÇA DE ATAQUE A REGENSBURG

A força-tarefa de Regensburg foi liderada pelo comandante da 4ª Divisão de Bombardeio, o então Coronel Curtis E. LeMay. Esta missão faria o nome de LeMay como um grande líder de (e em) combate. A força-tarefa consistia em sete grupos de B-17, totalizando 146 aeronaves, cada Grupo de Bombardeio (GB), exceto um, voando com uma formação tática de caixa de combate de 21 aeronaves. Os grupos foram organizados em três formações maiores denominadas “Alas de Combate Provisórias” (ACP), três grupos em uma caixa de formação em “V” liderando a formação, seguidos por duas caixas de dois grupos cada em formação escalonada com um grupo à frente e o segundo à direita em menor altitude. Os Grupos de Caças (GC) fariam a escolta até o limite máximo de seu alcance.

FORÇA DE ATAQUE A REGENSBURG
ACPGRUPOBASE NA INGLATERRAENVIADOSPERDIDOS
403ª ACP96º GBSnetterton Heath210
388º GBKnettishall211
390º GBFramlingham206
401ª ACP94º GBBury St. Edmunds211
385º GBGreat Ashfield213
402ª ACP95º GBHorham214
100º GBThorpe Abbotts219
APOIO DOS CAÇAS DE ESCOLTA AO ATAQUE A REGENSBURG
HORAGRUPOCOBERTURACAÇASABATES
10:05h às 10:20h353º GCEntre Haamstede e Diest37 P-471
10:30h às 10:45h56º GCEntre Herentals e Eupen50 P-470

Aproximadamente quinze minutos depois de cruzar a costa, por volta das 10h00min, a força de Regensburg encontrou os primeiros caças interceptadores alemães, que continuou com intensidade crescente por quase todo o caminho até a área do alvo. Vários fatores pesaram contra a força de Regensburg nessa missão. O arranjo de dois grupos de bombardeio, em vez de três, nas duas alas provisórias na retaguarda significou um terço a menos de armas disponíveis para cada um para sua defesa mútua e os tornou alvos mais prováveis. O comprimento total da força-tarefa era grande demais para um suporte efetivo de combate. A última formação da ala de bombardeiros foi de quinze milhas (cerca de 25 quilômetros) atrás do primeiro e quase fora do alcance visual. Dos dois grupos de P-47 (87 aeronaves) encarregados de escoltar a força até a fronteira alemã, apenas um chegou ao ponto de encontro a tempo, cobrindo apenas a ala principal, e o segundo chegou quinze minutos atrasado. Finalmente, ambos os grupos P-47 foram forçados a voltar à base depois de apenas quinze minutos de serviço de escolta, sem envolver nenhum interceptador alemão. A última ala provisória da força-tarefa ficou sem qualquer proteção de combate.

Após noventa minutos de combate, a força defensora alemã interrompeu o combate, com pouco combustível e munição e voltou as suas bases. Até então, pelo menos 15 bombardeiros foram abatidos ou gravemente danificados. No entanto, o fogo antiaéreo (“flak”) estava leve em Regensburg e a visibilidade era clara, e dos restantes 131 bombardeiros, 126 conseguiram lançar quase 300 toneladas de bombas nas fábricas de aviões de caça com um alto grau de precisão (principalmente graças as suas miras Norton) por volta das 11h45min.

Um B-17 é atingido em cheio pela Flak alemã e explode, durante o ataque contra Regensburg. (Reprodução Internet)

Após o ataque a força de Regensburg virou-se para o sul para atravessar os Alpes, confrontados apenas por alguns poucos caças bimotores que logo foram forçados a se desvencilhar por falta de alcance. A força alemã não estava preparada para essa contingência, mas eles também estavam em processo de se rearmarem para encontrar a força de Schweinfurt, então se formando sobre o leste da Inglaterra. Mesmo assim, dois B-17 danificados se desgarraram da força-tarefa de Regensburg e fizeram aterragens de emergência na Suíça neutra, onde suas tripulações foram internadas e os bombardeiros confiscados. O Coronel LeMay ordenou que a formação realizasse duas órbitas de 10 minutos sobre a Suíça, permitindo que mais aeronaves danificadas voltassem à formação antes de voar para o norte da África. Outro B-17 caiu na Itália e mais cinco foram forçados a descer pela falta de combustível no Mar Mediterrâneo. Ao todo 24 bombardeiros foram perdidos e mais de 60 das 122 aeronaves sobreviventes que aterrissaram na Tunísia foram danificados.

A FORÇA DE ATAQUE A SCHWEINFURT

A 1ª Ala de Bombardeio, comandada pelo Brigadeiro General Robert B. Williams, era composta de nove grupos de B-17. Anteriormente, devido a esse grande número de grupos, assim como em Regensburg, “Alas de Combate Provisórias” haviam sido formadas em abril para controlar os grupos taticamente durante grandes missões. Para conseguir um “esforço máximo” contra Schweinfurt, a 1ª Ala de Bombardeio, com aeronaves e tripulações suficientes para empregar quatro grandes caixas defensivas, formaram grupos provisórios e também alas, executados por oito grupos que forneceram um esquadrão ou aeronaves sobressalentes para formarem “Grupos Compostos” necessários para formar uma quarta ala de combate. A força de Schweinfurt tinha 230 bombardeiros compostos por 12 grupos divididos em duas forças-tarefa, cada uma com duas alas, cada ala composta de uma formação de três grupos, e tinha mais de vinte milhas de comprimento (cerca de 32 quilômetros). Williams pessoalmente liderou a missão, voando como copiloto em uma aeronave da formação líder, como ala para o comandante do 91º Grupo de Bombardeiro.

A ORGANIZAÇÃO DO ATAQUE A SCHWEINFURT
ACPGRUPOBASE NA INGLATERRAENVIADOSPERDIDOS
PRIMEIRA FORÇA DE ATAQUE
201º ACP91º GBBassingbourn187
 101º Grupo Composto 196
 381º GBRidgewell209
202º ACP351º GBPolebrook211
 306º Grupo Composto 200
 384º GBGrafton Underwood185
SEGUNDA FORÇA DE ATAQUE
203º ACP306º GBThurleigh210
 305º GBChelveston202
 92º GBAlconbury202
204º ACP379º GBKimbolton180
 103º Grupo Composto 174
 303º GBMolesworth180

As duas forças de ataque de Schweinfurt seguiram o mesmo caminho que a força de Regensburg. Devido ao atraso no início da missão, oito esquadrões de caças Spitfire da RAF (96 aeronaves) do Grupo 11 e do Grupo 83 foram adicionados para escoltar a força de Schweinfurt até Antuérpia (Bélgica), onde os P-47 assumiram a escolta para Eupen. A ordem de campo para a missão especificava que os B-17 voariam em altitudes entre 23.000 e 26.500 pés (7.000-8.000 m), mas se aproximando da costa da Holanda às 13h30min, foi confrontado com grandes e espessas formações de nuvens. O comandante da primeira força-tarefa estimou que os bombardeiros não conseguiriam escalar as nuvens e escolher voar abaixo deles a 17.000 pés (5.000 m), aumentando a vulnerabilidade. dos bombardeiros para os ataques da Luftwaffe.

Os B-17 em formação cerrada rumo a Schweinfurt. Mesmo com toda proteção, 60 bombardeiros foram abatidos pela Defesa Antiaérea alemã e pelos caças da Luftwaffe. Reprodução Internet)

Os primeiros ataques alemães começaram assim que os bombardeiros entraram em espaço aéreo inimigo e empregaram as mesmas táticas da missão da manhã. A ala principal foi atacada continuamente em ataques frontais de caças Messerschmitt Bf 109 e Focke-Wulf Fw 190, e embora a escolta da RAF tenha conseguido oito vitórias, foi forçada a retornar à base no início do combate, por falta de combustível. Dois grupos de P-47, com 88 aeronaves no total chegaram alguns minutos atrasados e, apesar de alguns combates individuais, eles também foram forçados a retornar poucos minutos depois, também por falta de combustível.

Dentro do espaço aéreo alemão, os caças Bf 109 G-6 do JG 11, que foram pioneiros na montagem do foguete ar-ar de 21 cm Werfer-Granate (WG) 21 para a força de combate de um único motor da Luftwaffe no dia anterior, assim como os bimotores Bf 110 “Zerstörer” (Destruidores), que lançaram foguetes, armados de forma semelhante, incluindo caças noturnos, se uniram à batalha, com mais de 300 caças de 24 bases se opondo ao ataque. Às 14h36min a força divergiu da rota da manhã em Worms, na Alemanha, alertando os defensores alemães de que o alvo era Schweinfurt. As perdas entre os 57 B-17 da ala principal foram tão severas que muitos de seus pilotos consideraram a possibilidade de que a ala pudesse ser aniquilada antes de atingir o alvo. No entanto, a quinze milhas de Schweinfurt, os combatentes opositores, depois de abater 22 bombardeiros, desembarcam e aterrissam para reabastecer e rearmar a fim de atacar a força que estava saindo. A cinco milhas de Schweinfurt, os canhões antiaéreos alemães começaram a disparar uma barreira efetiva contra o caminho da força de bombardeiros.

Caças Republic P-47 Thunderbolt em voo. Apesar de poderoso, não tinham autonomia para acompanhar os B-17 até o alvo, por isso as pesadas perdas dos bombardeiros. O problema só foi resolvido com a introdução do North American P-51D Mustang, que poderia acompanhar os B-17 e B-24 até o coração da Alemanha. (Reprodução Internet)

Às 14h57min, aproximadamente 40 B-17 permaneceram na ala principal quando lançaram suas bombas no alvo, contendo cinco fábricas e 30 mil trabalhadores, seguidos por um período de 24 minutos pelo restante da força. Cada ala encontrou fumaça cada vez mais pesada das explosões anteriores, um obstáculo à precisão, fazendo com que muitas bombas caíssem fora do perímetro das fábricas. No total 183 bombardeiros lançaram 425 toneladas de bombas, incluindo 125 toneladas de bombas incendiárias.

Três B-17 foram abatidos por fogo antiaéreo sobre Schweinfurt. Quinze minutos depois de abandonar o alvo, as aeronaves sobreviventes circularam pela cidade de Meiningen para reorganizarem suas formações, depois seguiu para o oeste em direção a Bruxelas. Aproximadamente às 15h30min, os caças alemães retomaram seus ataques, concentrando-se agora em bombardeiros danificados. Entre 16h20min e 17h00min uma força de cobertura de 93 P-47 e 95 Supermarine Spitfires chegou para fornecer apoio de retirada, alegando que 21 caças foram abatidos, com mais oito bombardeiros abatidos antes que a força atingisse o Mar do Norte, onde mais três danificados caíram no mar. A força de Schweinfurt perdeu um total de 36 bombardeiros.

APOIO DOS CAÇAS DE ESCOLTA AO ATAQUE A SCHWEINFURT
HORAGRUPOCOBERTURACAÇASABATESPERDAS
APOIO A PENETRAÇÃO
13:36h-13:55h11º Grupo RAFWalcheren – Antuérpia72 Spitfire80
13:36h-13:55h83º Grupo RAFWalcheren – Antuérpia24 Spitfire00
13:53h-14:10h78º GCAntuérpia – Eupen40 P-4720
13:55h-14:09h4º GCDiest – Eupen48 P-4700
 
APOIO A RETIRADA
16:21h-16:51h56º GCNideggen – Sint-Niklaas51 P-47163
16:41h-17:00h353º GCMechelen – Sint-Niklaas42 P-4700
16:47h-17:00h11º Grupo RAFSint-Niklaas – Inglaterra72 Spitfire30
17:20h-17:40h83º Grupo RAFSint-Niklaas – Inglaterra23 Spitfire22

RESULTADOS E PERDAS

Os Estados Unidos listaram sessenta de seus bombardeiros com 552 tripulantes como desaparecidos após a missão de 17 de agosto de 1943. Cerca de metade tornaram-se prisioneiros de guerra e 20 foram internados. Essas aeronaves foram perdidas em território controlado pelos alemães, na Suíça, ou abandonadas no mar, com cinco equipes resgatadas pelo Comando Costeiro da RAF. Sete tripulantes foram mortos a bordo de bombardeiros que conseguiram retornar às bases com segurança, além de 21 feridos.

As sessenta aeronaves perdidas em uma única missão mais do que dobraram a maior perda anterior até aquele momento na guerra. Cerca de 95 aeronaves foram muito danificadas. Das danificadas, muitos foram abandonados no norte da África e nunca mais voltaram a voar. Três P-47 da USAAF e dois Spitfires da RAF foram abatidos tentando proteger a força de Schweinfurt. Os pilotos da Spitfire alegaram que 13 caças alemães foram abatidos e os pilotos do P-47 reivindicaram 19. Atiradores dos bombardeiros reivindicaram 288 caças abatidos, mas os registros da Luftwaffe capturados após a guerra mostraram que apenas 27 caças foram perdidos.

Em Regensburg, todas as seis oficinas principais da fábrica da Messerschmitt foram destruídas ou gravemente danificadas, assim como muitas estruturas de apoio, incluindo a oficina de montagem final. Em Schweinfurt, a destruição foi menos severa, mas ainda extensa. As duas maiores fábricas, Kugelfischer & Company e Vereinigte Kugellager Fabrik I, sofreram 80 acertos certeiros de bombas, com 35.000 m² de edifícios nas cinco fábricas destruídos e mais de 100.000 m² sofreram graves danos causados por incêndios. Todas as fábricas, exceto a Kugelfischer, apresentavam grandes danos causados por incêndio ao maquinário, quando as bombas incendiárias inflamaram o óleo das máquinas nas fábricas.

Um B-17 acidentado sendo rebocado passa por uma cidade. Apesar de muitos pensarem que essa foto foi feita na Alemanha, na verdade, esse B-17 está sendo rebocado na Suíça, aonde caiu em 1943, com a tripulação sendo internada no país até o final da guerra. Ele foi um dos 60 B-17 perdidos durante a missão em Schweinfurt. (Reprodução Internet)

O Ministro de Armamentos e Produção de Guerra da Alemanha, Albert Speer, relatou uma perda imediata de 34% da produção, mas tanto o déficit de produção quanto a perda real de rolamentos foram compensados por extensos estoques encontrados em toda a Alemanha após o ataque. A infraestrutura do setor, embora vulnerável a uma campanha de bombardeio pesado, não estava vulnerável à destruição por um único ataque. Speer indicou que as duas principais falhas cometidas pelos norte-americanos na missão foram em primeiro lugar dividir sua força em vez de concentrá-las para aniquilar de vez as fábricas de rolamentos, em segundo lugar, não seguir o primeiro ataque com repetidos ataques. Também foi divulgado que 203 civis morreram com os bombardeiros.

A missão de Schweinfurt, em particular, previu o fracasso de invasões de penetração profunda da Alemanha sem uma escolta adequada de longo alcance. A 1ª Ala da Bombardeio esteve sobre o território ocupado pelos alemães por três horas e trinta minutos, dos quais duas horas e dez minutos, incluindo todo o tempo gasto na própria Alemanha, não receberam apoio algum. Quando o segundo ataque a Schweinfurt ocorreu em 14 de outubro de 1943, uma quinta-feira, a perda de mais de 20% da força atacante (60 de 291 B-17) resultou na suspensão de ataques profundos por cinco meses (devido as pesadas perdas, essa missão ficou conhecida entre os membros da 8ª Força Aérea como “Black Thursday” – “Quinta-Feira Negra”).

LEGADO E CONCLUSÕES

Essa missão foi consagrada na ficção como a “Incursão de Hambrucken” em “Beirne Lay” e o romance de Sy Bartlett, “Twelve O’Clock High”. Ele fornece uma visão razoavelmente precisa do pensamento por trás da intenção dos planejadores e das decisões que levaram ao abandono do objetivo de lançar um golpe duplo de tal maneira que o segundo ataque não encontrasse nenhuma oposição aérea; e da ação no próprio ar. O ataque a Schweinfurt, a segunda parte da missão, também formou a estrutura do romance “The War Lover”, de John Hersey. No início dos anos 1990, o ataque foi representado pela primeira vez em um videogame, como uma missão jogável em Armas Secretas da Luftwaffe.’Essa missão foi consagrada na ficção como a “Incursão de Hambrucken” em “Beirne Lay” e o romance de Sy Bartlett, “Twelve O’Clock High”. Ele fornece uma visão razoavelmente precisa do pensamento por trás da intenção dos planejadores e das decisões que levaram ao abandono do objetivo de lançar um golpe duplo de tal maneira que o segundo ataque não encontrasse nenhuma oposição aérea; e da ação no próprio ar. O ataque a Schweinfurt, a segunda parte da missão, também formou a estrutura do romance “The War Lover”, de John Hersey. No início dos anos 1990, o ataque foi representado pela primeira vez em um videogame, como uma missão jogável em Armas Secretas da Luftwaffe.

Pôster da série “Mestres do Ar”, da Apple TV+. (Reprodução Internet)

O livro de Donald. L Miller, escrito em 2007, “Masters of the Air: America’s Bomber Boys Who Fought the Air War Against Nazi Germany” (cuja tradução para o Português, “Mestres do Ar, A saga dos jovens que voaram nos bombardeiros americanos na guerra contra a Alemanha Nazista”, está chegando ás livrarias brasileiras no final de janeiro de 2024), e que foi adaptado para a televisão no serviço de streaming “Apple TV+” com o nome “Mestres do Ar”, minissérie em nove partes que estreou no dia 26 de janeiro de 2024, fará referência a esse ataque em um de seus episódios.

Capa do livro “Mestres do Ar” (Edição em Português). (Reprodução Internet)

A “vitória de Pirro” da Missão Nº 84 estimulou os norte-americanos a desenvolverem um novo caça de escolta de longa distância, a fim de que os bombardeiros fossem escoltados praticamente até o seu objetivo, Alemanha adentro. Esse caça surgiu na figura do excelente North American P-51D Mustang, que com seus tanques e seu poderoso e econômico motor Merlin, poderia acompanhar os B-17 e B-24 até o coração do Eixo. Os EUA também aceleraram o desenvolvimento de um sucessor do B-17, o Boeing B-29 Superfortress, uma aeronave mais robusta, que voava mais alto, bem mais armada e com grande capacidade de sobrevivência da tripulação, mas quando essa aeronave tornou-se plenamente operacional, em fins de 1944, a guerra na Europa já estava no final e essa poderosa aeronave viu mais ação apenas no Teatro de Operação do Pacífico, onde fez História.

Podemos então constatar que os ataques a Schweinfurt e Regensburg, mesmo não atingindo plenamente o seu objetivo, foi uma dura lição para os norte-americanos aperfeiçoarem mais seus bombardeiros, suas táticas e objetivos. Da mudança e aperfeiçoamento dessa doutrina (com a grande contribuição do futuro general Curtis LeMay), cria-se o conceito de “Bombardeio Estratégico” em plena luz do dia, que juntamente com os bombardeiros noturnos do Bomber Command da RAF e seu líder, Marechal Arthur Harris, irão destruir a infraestrutura da Alemanha e, juntamente com a invasão aliada de 6 de junho de 1944, tais ações irão precipitar o final da guerra da Europa.

IMAGEM DE CAPA: Um B-17 praticamente sem a asa esquerda caindo sobre os céus de Schweinfurt, durante o ataque de 17 de agosto de 1943. As perdas de aeronaves e pessoal nesse ataque foram catastróficas para a 8ª Força Aérea dos EUA. (Reprodução Internet)

FONTES: Wikipédia, Instagram do Canal Militarizando e sites da Internet.

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