Uma recente investigação exclusiva do Washington Post revelou detalhes surpreendentes sobre uma operação secreta do Mossad contra o Hezbollah. A trama envolveu um sofisticado esquema de vigilância e destruição, utilizando pagers e rádios armadilhados, numa ação que começou há quase uma década e culminou em 2023. Vamos entender como essa operação se desenrolou e impactou o Hezbollah de maneira devastadora.
O Início da Operação: Um Plano Inovador
Tudo começou em 2022, quando o Mossad, a agência de inteligência israelense, decidiu aproveitar uma oportunidade criada pelas preocupações crescentes do Hezbollah com a vigilância eletrônica israelense. O grupo libanês, ciente de que estava vulnerável à interceptação de suas comunicações, buscava métodos de comunicação à prova de hackers. Eles queriam criar uma rede eletrônica segura para transmitir mensagens. E foi aí que o Mossad deu o primeiro passo.
Porém, o plano mais recente teve um embrião em 2015, quando o Mossad começou a infiltrar rádios bidirecionais armadilhados no Líbano. Esses dispositivos possuíam baterias grandes, explosivos ocultos e um sistema de transmissão, o que permitiu a Israel acessar as comunicações internas do Hezbollah. O detalhe adicional dos explosivos era visto como um bônus pelo Mossad.
A Escolha dos Pagers: Uma Armadilha Perfeita
Em 2023, o Hezbollah, buscando alternativas seguras para comunicação, voltou sua atenção para pagers. A organização encontrou o modelo Apollo, de Taiwan, com a ajuda de um representante de vendas “confiável” que tinha ligações diretas com a fabricante. Sem saber do envolvimento do Mossad, o Hezbollah acabou optando pelo modelo AR924.
No entanto, o que o Hezbollah não sabia era que a produção dos pagers havia sido terceirizada para uma instalação em Israel, controlada pelo Mossad. Esses pagers incluíam uma pequena quantidade de explosivo, tão bem escondido que nem mesmo uma inspeção cuidadosa ou um exame de raio-X revelariam sua presença.
A Detonação: O Golpe Final
O grande trunfo da operação estava no controle remoto que o Mossad tinha sobre os pagers. Os dispositivos poderiam ser detonados com um simples sinal eletrônico. Além disso, o Mossad adicionou uma funcionalidade engenhosa que explorava o processo de verificação de mensagens criptografadas, garantindo que o usuário estivesse segurando o pager com ambas as mãos no momento da explosão.
No dia 12 de setembro, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu informou o Gabinete sobre o plano. Após um debate intenso, a operação foi aprovada, sem que os Estados Unidos fossem informados.
Em 17 de setembro, milhares de pagers começaram a tocar e vibrar simultaneamente no Líbano e na Síria. As telas mostravam a mensagem: “Você recebeu uma mensagem criptografada.” Os membros do Hezbollah seguiram as instruções e pressionaram os botões para verificar as mensagens, ativando assim os explosivos. Em menos de um minuto, o Mossad detonou remotamente os pagers restantes. No dia seguinte, os rádios inseridos em 2015 também foram detonados, fechando o ciclo dessa operação complexa e letal.
Conclusão: Um Golpe Estratégico
O Mossad demonstrou, mais uma vez, sua capacidade de orquestrar operações altamente sofisticadas e discretas. O uso de tecnologia de comunicação hackeada, disfarçada como uma solução legítima, resultou em um golpe mortal contra o Hezbollah. Com a destruição de pagers e rádios em massa, o Hezbollah foi surpreendido e ferido de forma significativa, deixando uma marca permanente em suas operações.
Essa operação é um lembrete do jogo estratégico e tecnológico constante entre Israel e seus adversários no Oriente Médio. A habilidade do Mossad em manipular ferramentas cotidianas para obter vantagens de inteligência mostra o quão longe as agências de espionagem estão dispostas a ir para proteger seus interesses nacionais.


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