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Conversão de Caças F-5 e A-1 em Drones: A Nova Era da FAB

Em um cenário global onde as táticas de guerra aérea se transformam com o avanço acelerado de drones militares, aeronaves não tripuladas e sistemas autônomos, a Força Aérea Brasileira (FAB) enfrenta o imperativo de inovar na modernização de sua frota para manter a superioridade aérea e a dissuasão estratégica. Com a declaração oficial de Condição Operacional Inicial (IOC) do caça multifuncional Gripen E/F-39 em 19 de dezembro de 2022, uma data marcante na história da aviação militar brasileira, surge um debate profundo e oportuno sobre o futuro dos veteranos caças F-5 “Bicudo” e A-1 “Centauro”.

F-5 e A-1

Esses aeronaves, que serviram com distinção por décadas, representam não apenas um legado de proezas técnicas e operacionais, mas também uma oportunidade para reinvenção. Em vez de relegá-los ao esquecimento ou ao desmantelamento, essa transição pode converter esses ativos em ferramentas de combate remotamente pilotadas ou autônomas, aprimorando a capacidade de dissuasão militar, preservando vidas humanas valiosas e elevando a segurança nacional através de uma integração sinérgica com sistemas avançados de inteligência eletrônica (ELINT), sensores de alta resolução e munições guiadas por precisão.

Tal abordagem não só otimiza recursos orçamentários limitados, mas também alinha o Brasil às tendências globais de guerra assimétrica, onde a eficiência custo-benefício e a minimização de riscos humanos definem o sucesso em teatros de operação complexos. Ao explorar essa possibilidade, este artigo mergulha nas nuances técnicas, históricas e estratégicas, destacando como a conversão de aeronaves legadas em drones pode redefinir o panorama da defesa aérea brasileira, inspirando-se em exemplos internacionais que demonstram a viabilidade e o impacto transformador dessa estratégia.

Contexto Histórico

Os caças Northrop F-5 Tiger II e AMX A-1 integram o inventário da FAB há décadas, moldando a doutrina e as capacidades da aviação militar brasileira em um contexto de desafios regionais e globais. O F-5, introduzido na década de 1970, é um caça supersônico leve projetado para alta manobrabilidade, com uma velocidade máxima de Mach 1.6 (aproximadamente 1.740 km/h a 11.000 metros de altitude), um alcance de combate típico de cerca de 1.400 km com tanques externos, e uma capacidade de carga útil de até 3.175 kg, incluindo mísseis ar-ar como o AIM-9 Sidewinder e bombas convencionais. Sua estrutura compacta, com envergadura de 8,13 metros e comprimento de 14,45 metros, permitiu operações em pistas curtas e ambientes austeros, tornando-o ideal para patrulhas fronteiriças e treinamentos avançados.

Northrop F-5, carinhosamente apelidado “Bicudo”

Já o A-1, uma colaboração ítalo-brasileira desenvolvida nos anos 1980 e operativo desde os anos 1990, é um jato subsônico especializado em ataque ao solo, com velocidade máxima de 1.050 km/h, alcance estendido de até 3.330 km com tanques auxiliares e uma carga máxima de 3.800 kg, equipado com canhão DEFA 554 de 30 mm e mísseis anti-navio como o Exocet. Essas plataformas acumularam milhares de horas de voo, participando de exercícios multinacionais e missões de soberania aérea sobre a Amazônia e o Atlântico Sul.

AMX International A-1 Falcão, carinhosamente apelidado “Centauro”

No entanto, com a chegada dos Saab Gripen F-39, que ostentam um motor General Electric F414 com empuxo de 98 kN (incluindo pós-combustão), um radar AESA (Active Electronically Scanned Array) Raven ES-05 capaz de rastrear múltiplos alvos a distâncias superiores a 150 km, e uma velocidade supersônica de Mach 2, esses veteranos enfrentam uma aposentadoria gradual e inevitável.

Saab F-39 Gripen, um dos caças mais modernos do mundo

Essa modernização reflete uma tendência global de transição para aeronaves de quinta geração, mas também abre avenidas para a reutilização inovadora de legados, como conversões em plataformas não tripuladas, inspiradas em conflitos históricos que destacam a criatividade em tempos de escassez de recursos. Por exemplo, durante a Guerra Fria, nações como os Estados Unidos converteram caças obsoletos em alvos drone para treinamento, pavimentando o caminho para aplicações mais ofensivas em eras modernas, incluindo integrações com sistemas de controle autônomo e sensores avançados para missões de alto risco.

QF-4, um caça McDonnell Douglas F-4 Phantom II transformado em alvo

Análise Atual com Foco em Dinâmicas Militares

Na Guerra de Nagorno-Karabakh em 2020, o Azerbaijão demonstrou uma inovação tática notável ao converter aeronaves civis Antonov An-2 em drones kamikaze, equipando-as com sensores passivos para detecção de emissões de radar e módulos de transmissão de dados em tempo real, que revelavam posições de defesas antiaéreas inimigas para ataques subsequentes com artilharia ou mísseis guiados.

Antonov An-2. O Azerbaijão modificou vários de seus antigos An-2, transformando-os em altamente modernas e letais armas

Essa estratégia não apenas preservou aeronaves de combate tripuladas e pilotos experientes, mas também integrou-se perfeitamente a loitering munitions como o Harop da Israel Aerospace Industries (IAI), que possui um alcance operacional de até 1.000 km, velocidade máxima de 417 km/h, uma ogiva de 23 kg com fusível de impacto e proximidade, e sensores eletro-ópticos para aquisição autônoma de alvos, provando sua eficiência em neutralizar baterias de mísseis S-300 armênias.

Concepção artística do IAI Harop (IAI)

Aplicando esses princípios à FAB, a redesignação dos F-5 e A-1 como QF-5 e QA-1 envolveria uma engenharia reversa meticulosa: remoção de sistemas de suporte vital ao piloto, como assentos ejetáveis, displays de cockpit e oxigênio, potencialmente reduzindo o peso vazio em 20-30% (de cerca de 4.300 kg para o F-5 e 6.300 kg para o A-1), permitindo uma maior autonomia de combustível ou integração de payloads adicionais, estendendo o alcance para além de 2.000 km em missões unidirecionais kamikaze. Integrados ao data link nacional Link-BR2, que opera em bandas seguras de frequência com algoritmos de criptografia AES-256 e taxas de transferência de dados de até 1 Mbps para transmissão de vídeo full HD e telemetria em tempo real, esses drones poderiam atuar como vanguarda em formações de ataque com Gripens, varrendo o espaço aéreo com radares ELTA e pods Litening equipados com sensores FLIR (Forward-Looking Infrared) para detecção térmica noturna, câmeras SWIR de longo alcance para penetração em neblina, e designadores laser de 1.064 nm para guiamento preciso de munições com erro circular provável (CEP) de menos de 1 metro.

A-1 modernizado, levando um pod Litening no centreline (o longo suporte no ventre da aeronave). Um “QA-1” com esta combinação seria muito eficiente

Inversamente, os Gripens, com seus sensores fusionados e radares AESA de baixa probabilidade de interceptação (LPI), poderiam designar alvos a distâncias superiores a 200 km, transmitindo coordenadas para QF-5/QA-1 armados com kits como os JDAM (Joint Direct Attack Munition) – que convertem bombas convencionais em munições guiadas por GPS/INS com precisão CEP de 5-13 metros, alcance de até 28 km quando lançadas de alta altitude (acima de 10.000 metros), e opções de fusíveis programáveis para detonação em ar, impacto ou penetração. Outros países desenvolvem sistemas semelhantes.

JDAM

Para missões de reconhecimento e inteligência, a instalação de pods RecceLite XR – com sensores MWIR/SWIR de alta resolução (até 0,05 metros por pixel), radar de abertura sintética (SAR) para imagens todo-tempo e cobertura de área de 100 km² por hora a 10.000 metros – aliados a suítes ELINT capazes de interceptar e geolocalizar sinais radar em bandas de 0.5 a 40 GHz com precisão angular de 1 grau, permitiriam um mapeamento eletrônico detalhado do campo de batalha, identificando emissões de sistemas como o S-400 russo ou radares de vigilância chineses, e até programando ataques oportunísticos autônomos, superando as limitações de drones menores como o Harop em termos de velocidade (até Mach 1.6) e carga (até 3 toneladas).

Como plataformas equivalentes a mísseis de cruzeiro de grande calibre, um QF-5 com massa total de decolagem de 11.214 kg ou um QA-1 de 13.000 kg, carregado com uma bomba BAFG-920 – uma variante brasileira de alto explosivo fragmentado de 920 kg com fusíveis eletrônicos programáveis para otimização de dano – ofereceriam um poder destrutivo comparável a múltiplos mísseis Tomahawk, capazes de neutralizar alvos estratégicos como pontes fortificadas, bunkers subterrâneos ou navios de grande porte, penetrando cascos com energia cinética equivalente a dezenas de toneladas de TNT.

Além disso, em configurações de Loyal Wingman – um conceito de parceria homem-máquina onde drones atuam como extensões autônomas de caças tripulados –, os QF-5 poderiam ser equipados com mísseis ar-ar Derby ER, que contam com sensores ativos de radar, alcance extendido de mais de 100 km, velocidade Mach 4, manobrabilidade de até 50g para evasão de contramedidas, e algoritmos de rastreamento multi alvos, permitindo engajar ameaças aéreas remotamente, protegendo os Gripens ao disruptar a consciência situacional inimiga através de jamming eletrônico ou ataques coordenados.

Um F-39 poderia voar com um QF-5, tanto como “loyal wingman” como “drone kamikaze”

Para o Brasil, essa inovação fortaleceria a soberania aérea na América do Sul, permitindo operações de longa duração sobre vastas áreas como a Amazônia (mais de 5 milhões de km²), integrando-se a redes de defesa coletiva como o Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) e influenciando doutrinas internacionais de guerra remota que priorizam a minimização de casualties humanas.

Perspectivas Comparadas de Potências

Diversas nações ao redor do mundo têm adotado estratégias de conversão de aeronaves em plataformas não tripuladas, fornecendo lições valiosas e perspectivas comparativas que enriquecem o debate sobre a aplicação na FAB.

O Vietnã, por exemplo, avança em um programa ambicioso para transformar seus envelhecidos MiG-21 – caças supersônicos soviéticos com velocidade Mach 2.1, alcance de 1.100 km e carga útil de 1.300 kg – em drones para treinamento como alvos aéreos ou veículos de combate não tripulados (UCAVs), envolvendo a remoção de cockpits para instalação de autopilotos digitais, sensores ELINT para coleta de sinais eletrônicos em tempo real, e cargas explosivas para missões kamikaze, com alcance estendido para mais de 1.500 km em perfis unidirecionais. Iniciado em 2020, o projeto inclui testes rigorosos de controle remoto via enlaces satelitais e integração de ogivas de alto explosivo, visando preservar pilotos e maximizar o uso de estoques legados em cenários de defesa costeira contra ameaças navais chinesas no Mar do Sul da China.

Nos Estados Unidos e Austrália, o programa MQ-28 Ghost Bat da Boeing representa o auge da tecnologia de teaming homem-máquina, desenvolvendo drones autônomos otimizados para atuar como alas leais de caças tripulados como o F-35. Com dimensões compactas – comprimento de 11,58 metros, envergadura de 7,3 metros, velocidade máxima de aproximadamente 1.050 km/h no regime subsônico alto, alcance superior a 3.700 km, carga interno de até 500 kg para sensores ou munições, e integração de inteligência artificial para decisões táticas autônomas, incluindo evasão de ameaças e coordenação em , o MQ-28 opera em altitudes de até 12 mil metros e possui stealth parcial com seção radar reduzida (utilizando materiais absorventes de radar e design de baixa observabilidade), permitindo missões de ISR (inteligência, vigilância, reconhecimento) e/ou ataque, inclusive em ambientes contestados. Equipado com um motor turbofan Williams FJ33 para propulsão eficiente, design modular para payloads intercambiáveis, e capacidades potenciais de reabastecimento aéreo para extensão de persistência, o programa avançou com mais de 100 voos de teste até março de 2025, incluindo demonstrações de comportamentos autônomos e compartilhamento de dados com aeronaves tripuladas em junho de 2025; além disso, três células Block 2 com asa aprimorada e GPS/INS serão produzidos até o final de 2025, com planos para disparar mísseis ar-ar no final de 2025 ou início de 2026, e a RAAF (Real Força Aérea Australiana) visando adquirir pelo menos 10 unidades operacionais até o fim de 2025.

No contexto brasileiro, os QF-5 poderiam emular essa funcionalidade, utilizando o Derby para engajamentos além do alcance visual (BVR), confundindo redes de radares inimigos através de sistemas integrados de interferência, ou através de ataques coordenados.

Em Israel, empresas como a Aeronautics têm liderado conversões inovadoras, exemplificadas pelo Dominator UAV, uma plataforma MALE (voos de média altitude e longa duração) baseada na aeronave civil Diamond DA42, adaptada para operações não tripuladas. O Dominator XP, variante principal, possui peso máximo de decolagem (MTOW) de 1.900 kg, envergadura de 13,5 metros, comprimento de 8,56 metros, endurance máxima de até 20 horas (com variantes como Dominator II alcançando 28 horas), altitude operacional superior a 9.000 metros, e datalinks de até 250 km em linha e visão, com opções de comunicações de alcances ainda maiores via satélite para alcance ilimitado. Equipado com dois motores diesel Centurion 2.0 (cada um produzindo 135 hp), sistema ativo anti-gelo para operações em climas adversos, e redundância tripla em aviônicos críticos para confiabilidade em missões prolongadas, o Dominator leva cargas de até 400 kg, incluindo sensores eletro-ópticos, radares SAR e suítes ELINT, tornando-o ideal para vigilância de grandes áreas e ataques precisos. Essa expertise israelense em transformar plataformas civis em UAVs militares destaca a viabilidade de conversões custo-efetivas, com o Dominator sendo exportado para nações como Tailândia para missões de ISR e patrulha de fronteiras.

Diamond DA42 Twin Star, base do UAV DOminator

Na Turquia, uma potência emergente em tecnologia drone, programas de conversão têm ganhado destaque, como a transformação do helicóptero tripulado Alpin em UAV pela Turkish Aerospace Industries (TAI), com primeiro voo bem-sucedido em 2020, envolvendo integração de autopilotos, sensores multimodais e capacidades para operações complexas em cenários urbanos ou montanhosos, estendendo a autonomia para mais de 10 horas e carga para 150 kg.

TITRA Alpin (TITRA)

Adicionalmente, a TAI converteu o sistema de treinamento Şimşek – originalmente um drone alvo de alta velocidade para simulação de ameaças – em um drone kamikaze em 2021, com velocidade de até 740 km/h, alcance de 100 km, ogiva de 5 kg e sensores para aquisição autônoma, permitindo ataques suicidas contra radares ou veículos.

TAI Şimşek (TAI)

Forças turcas também converteram aeronaves soviéticas antigas em drones iscas para atrair fogo inimigo, similar ao Azerbaijão, em operações na Síria e Líbia. Essas iniciativas turcas, impulsionadas por empresas como Baykar e TAI, enfatizam a ascensão da Turquia como potência mundial em drones militares, com foco em exportações e integração em navios “porta-drones” como o TCG Anadolu, oferecendo lições para o Brasil em termos de autonomia tecnológica e adaptação rápida. O nosso NAM Atlântico poderia ser usado de forma semelhante.

O Anadolu turco é um exemplo que podemos seguir com o nosso NAM Atlântico

Na Índia, programas de conversão de drones destacam-se pela reutilização de legados militares para aprimorar capacidades de teste e combate. A Força Aérea Indiana (IAF) planeja converter seus MiG-21 Bison recém aposentados em UAVs ou drones alvo supersônicos, transformando-os em plataformas para testar mísseis avançados como Akash-NG e QRSAM, com custos de conversão estimados em 70-80% do valor de um novo UCAV, envolvendo remoção de cockpits, instalação de autopilotos e cargas explosivas para missões kamikaze; em atualizações de 2025, a IAF iniciou conversões na instalação da HAL em Nashik, aproveitando expertise em manutenção de MiG-21, com a Bharat Electronics Limited (BEL) contribuindo com radares e eletrônicos, e cada aeronave sendo usada em voos de teste únicos para validar SAMs de alcance estendido até 350 km

MiG-21 indiano

Além disso, a Hindustan Aeronautics Limited (HAL) converteu o treinador Kiran MK-II em uma aeronave de combate opticamente tripulada (OMCA), com testes desde 2021 para integração em sistemas CATS Warrior, incluindo endurance de várias horas e payloads para ISR; especificamente, a conversão do HJT-16 Kiran resulta em um UCAV de 6,4 m de comprimento, 4,4 m de envergadura, MTOW de 1.300 kg, endurance de 80 minutos, alcance de 800 km, impulsionado pelo motor turbojato HAL PTAE-7 de 4,22 kN, e capacidade para 250 kg de payloads como armas ar-superfície, ISR e EW, operando autonomamente ou remotamente, voando até 100 km à frente de caças convencionais.

HJT-16 Kiran

O Exército Indiano explora a conversão de tanques T-72 em veículos de combate robóticos não tripulados para mitigar riscos em operações de alta intensidade. De acordo com o “Unmanned Force Plan” de julho de 2025, a Índia planeja adquirir 30-50 UAVs de categorias pequena, média ou grande, enfatizando conversões para eficiência. No âmbito do HAL Combat Air Teaming System (CATS), iniciado em 2017, há conversões de “motherships “naves-mãe” como o HAL Tejas Mk1A com interfaces de comando adicionais (tempo de conversão de 15 meses) e o Jaguar para testes, integrando UCAVs como o CATS Warrior (alcance de 700 km, controle a 150 km, payload de 24 ALFA-S), Hunter (míssil de cruzeiro de 600 kg, alcance 200-300 km), ALFA-S (swarm de 25 kg, velocidade 100 km/h, ogiva 5-8 kg) e Infinity (HAPS solar com endurance de 3 meses a 70.000 pés, wingspan de 50 m).

SEPECAT Jaguar indiano

Essas iniciativas indianas fornecem exemplos técnicos adicionais, como a integração de sensores LiDAR em conversões MiG-21 para mapeamento 3D preciso em velocidades supersônicas, ou algoritmos de controle híbrido (remoto/autônomo) no Kiran MK-II para transições suaves entre modos operacionais.

Na China, o Exército de Libertação Popular (PLA) tem investido pesadamente em conversões de aeronaves legadas para UAVs, destacando-se a transformação de jatos soviéticos como os J-6, J-7 e J-8, produzidos aos milhares durante a Guerra Fria, em drones supersônicos para uso em cenários de invasão, por exemplo contra Taiwan.

Shenyang J-6

O J-6 é a cópia chinesa do MiG-19; o drone feito a partir dele revelado publicamente em setembro de 2025 no Changchun Air Show, foi convertido combinando tecnologia da Guerra Fria com sistemas modernos, permitindo operações como iscas, ataques kamikaze ou enxames em grande escala, operando de aeródromos próximos a Taiwan para sobrecarregar defesas antiaéreas. Similarmente, o drone Sharp Sword (GJ-11) integra-se ao caça stealth J-20, de forma bastante parecida com o conceito “loyal wingman” dos EUA. 

Sharp Sword (GJ-11)

O Jiu Tian, um drone “peso pesado” a jato, revelado em junho de 2025, deve atuar como nave-mãe para lançar enxames de drones menores, ampliando capacidades de ISR e ataque. Essas conversões chinesas enfatizam volume e integração com IA, oferecendo lições para o Brasil em escalabilidade, mas também alertando sobre proliferação em regiões sensíveis. Comparativamente, enquanto potências estabelecidas como os EUA priorizam IA avançada e stealth em plataformas como o MQ-28, nações emergentes como Brasil, Vietnã, Israel, Turquia, Índia e China enfatizam a reutilização custo-efetiva de legados existentes, democratizando o acesso a drones militares avançados e reequilibrando os poderes globais em um multipolarismo crescente.

Jiu Tian

Os icônicos “Bicudo” e “Centauro” serviram à FAB com distinção inigualável por décadas, acumulando legados de heroísmo e inovação, mas sua iminente conversão em QF-5 e QA-1 para missões kamikaze, reconhecimento ELINT sofisticado ou como mísseis de cruzeiro de alto impacto estenderia dramaticamente sua relevância operacional, reforçando conceitos fundamentais como drones kamikaze, aeronaves não tripuladas autônomas e modernização aérea integrada na doutrina da FAB. Essa estratégia visionária não apenas preserva os pilotos valorosos da nação, minimizando riscos em ambientes hostis, mas também amplifica exponencialmente o poder de fogo e a capacidade de inteligência brasileira, adaptando legados históricos a um futuro imprevisível de guerra aérea híbrida, onde a inovação técnica, a eficiência estratégica e a cooperação global se entrelaçam para salvaguardar a paz e a soberania em um mundo cada vez mais volátil.

Outras aeronaves, como o Embraer A-29 Super Tucano, também poderiam ser convertidas em “drones kamikaze”

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